
em resposta à esta Grade obra:
(http://fejapimenta.blogspot.com/2010/02/mao-no-meu-bolso-e-o-tapa-na-cara.html)
Discurso do conformista 'lotador'
“ô sinhô num vê
que na nossa cidade grandi
num existe o contestá
num adianta fica nervoso
e se ficá, trate logo de pescá
no nosso mundo preto e cinza o normar é 'caba tudo eim pizza
Porque de dezembro à fevereiro, é tempo de comemorá...
e de março à novembro é a vez de recramá...
Má eu recramo não, é nunca que vai mudá
disculpa aí bom moço dos palavreado bunito,
mas se armentou deixa armentá
em otubro tem as tar de eleição, será que vão se alebrá?
ahh nada, esqueceu que fizeram o metrô, uma ponte em um lugá aí e uns predim de barracos amontoados, de tijolo per'do esgoto?
As passagi cara, má nem o povo vai se alembrá!
cês vão vê, os dois e'sententa fica p'pobri
nois que paga eles não vão se importá
apesar de sêmos a maioria, nossa voíz é mais calada, e não sabemo recramá...
se o rico pegasse onibus, pode acreditá que aumento de passagem seria só quando fosse acrescentá...
No nosso caso o armento foi pra compricá
vou gasta é meus solado’pé pra trata de economiza.
Bem que mia’vó dizia: pobre ainda existe por pura teimosia!”
2 comentários:
Lindo, Karen. Gostei do teu texto. E valeu por me mencionar, puxa, fico contente :D
Um abraço, e continue escrevendo!
Relendo teu texto agora eu pude apreciar como você conseguiu transcrever uma forma eminentemente oral da linguagem, linguagem do dia a dia, linguagem falada, marginalizada, excluída, à qual os escritores mal prestam atenção por não ser prestigiada academicamente.
Porque o mundo acadêmico transborda de intolerância, minha cara Karen (este é teu epíteto agora, querida), e fecha-se em sua redoma "que tudo conhece e delimita".
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